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terça-feira, 10 de dezembro de 2019

Livro de Acilino e palestra de Dirceu anima a Esquerda, irrita a Direita e ganha simpatizantes nas universidades e nos quarteis

Primeira edição se esgota no lançamento e palestras de Acilino e Dirceu ganha simpatizantes na sociedade com proposta de criação do Serviço de Inteligência dos Movimentos Sociais e recrutamento de militares para os partidos de esquerda.

Com toda primeira edição esgotada no lançamento realizado quinta-feira, (05) passada, o livro Inteligência Estratégica e Segurança Cidadã, do advogado e historiador Acilino Ribeiro, que contou com palestra do ex-ministro José Dirceu sobre o tema “A atividade de Inteligência e o papel dos militares na política”, tem levantado discussões no meio acadêmico e debate nos quartéis. Intelectuais e militares, além de militantes dos movimentos sociais e agentes da comunidade de inteligência saíram do lançamento\palestra com uma nova visão sobre o pensamento dos dois líderes da esquerda do PSB e do PT, Acilino Ribeiro e José Dirceu.

O livro é uma tese de pós-graduação de Acilino Ribeiro sobre o tema citado e sua “aplicação em defesa do Estado e suas instituições públicas, mas de proteção da Sociedade e seus movimentos sociais, com o objetivo de fortalecimento da democracia e da paz social”, afirmou o autor durante sua palestra de apresentação do livro.

Segundo ainda Acilino, além da parte teórica que foi adquirida durante pesquisa realizada para a defesa da tese, o mesmo coadunou esta a prática adquirida na experiência que teve durante seus anos de combate ao regime militar nos os anos de chumbo e na Internacional Revolucionária \ Mathaba Yallamya, organização mundial de combate ao imperialismo e ao terrorismo e que era dirigida da Líbia de Muammar Khadafy durante a Guerra Fria. Acilino explicou ainda que deve muito de seu aprendizado a homens como Luís Carlos Prestes, com quem conviveu no PCB e a Ricardo Zarattini que foi seu dirigente militar no MR8 durante a luta armada contra a ditadura. Zarattini inclusive faz a orelha do livro enquanto o autor faz homenagem a dois ex-guerrilheiros de quem foi amigo e contemporânea de luta, o capitão Carlos Lamarca, do Movimento Revolucionário 8 de Outubro e Carlos Eugênio Paz, o Comandante Clemente, falecido recentemente.

No livro Acilino explica as várias áreas de atuação da Inteligência, como a Inteligência Institucional, Militar, Naval, Financeira, Empresarial, Policial, e de Estado, dentre outras, e defende a tese da criação Inteligência Cidadã, que dentre suas atividades estaria a organização pelos partidos políticos, os movimentos sociais, sindicatos e militantes, da RENIC – Rede Nacional de Inteligência Cidadã, que seria uma espécie de Serviço de Inteligência da Sociedade para proteção dos movimentos sociais. E explica dizendo que “O Estado não pode ter o monopólio de uma atividade e usa-la como polícia política contra o povo, muito menos transformar essa atividade e seus órgãos em uma Gestapo, tendo milícias e grupos paramilitares como seus agentes”. E complementando seu pensamento sobre o tema o autor afirma mais adiante que “a atividade de inteligência não é uma atividade militar, mas civil, que as vezes pode ser exercida por militares; que deve ser secreta, mas não pode ser clandestina; deve ser preventiva, mas não repressiva; e deve ter um controle externo exercido institucionalmente pelo Congresso Nacional e setores da sociedade civil”.

Ao final, tanto do livro como da palestra Acilino Ribeiro defende ainda que após a experiência no Brasil, de criação da RENIC, os movimentos sociais e organizações populares internacionais formem um Sistema Internacional de Inteligência Cidadã – SIIC, tendo como embrião entidades como o Fórum Social Mundial - FSM; o Conselho Mundial da Paz - CMP; a Assembleia Mundial dos Povos - AMP; a Anistia Internacional –AI; o Médico Sem Fronteiras -MSF; o Greenpeace; e a Via Campesina dentre outras entidades e organizações congêneres, que lutam e venham a fortalecer e agir de forma integrada na luta pela paz mundial, a defesa dos direitos humanos, a proteção do meio ambiente, a segurança internacional, a autodeterminação dos povos, a defesa dos direitos dos trabalhadores e contra a violência policial, contra o feminicidio e pela integração dos povos do planeta.

José Dirceu por sua vez fez uma palestra bastante aplaudida, tanto pela militância presente como por diversos empresários, estudantes, professores, jornalistas, militares e militantes dos partidos de esquerda e movimentos sociais que lotaram o auditório da CUT em Brasília para o lançamento do livro e ouvirem o ex-ministro. Durante sua fala Dirceu elogiou o livro do amigo Acilino Ribeiro, o qual fez o prefácio, afirmando que “o mesmo está bem fundamentado e com uma pesquisa de conteúdo excelente”. No prefácio Dirceu aproveita para fazer uma autocrítica ao afirmar que “realmente não dei a ABIN, quando ministro a devida importância necessária a sua ação, mesmo porque se o fizesse diriam que eu estaria aparelhando a mesma” Mas reconheceu a necessidade da existência de um órgão de inteligência do Estado e disse que “a Inteligência Militar no Brasil é uma das mais equipadas e ativas do mundo”. Por outro lado, fez um histórico da atividade política dos militares no Brasil e tal como Acilino Ribeiro no livro e em sua palestra sugere que as direções partidárias busquem trazer estes para os partidos de esquerda, uma vez que os mesmos, como fizeram nas eleições passadas foram para partidos de Direita, se conhecerem o programa de cada partido da esquerda poderão se filiar aos partidos progressistas. Para tanto, segundo Dirceu é necessária mudança na doutrina das escolas militares.


Acilino e Dirceu comungam da ideia de que a Esquerda não pode cair na armadilha da Direita de ir para o confronto direto nas ruas que criaria um caos social; segundo eles: “essa é uma atribuição da polícia em reprimir a violência extremista, característica do fascismo. Eles têm as milícias e praticam o terrorismo, apoiado pelo Estado e a mídia, por isso devemos combate-los com atividades de inteligência, mas deixando que a polícia cumpra seu papel. Se não o fizer devemos buscar apoio nas Forças Armadas para fazer, buscando apoio nos setores democráticos destas ”, disse Acilino, sem usar a palavra “recrutamento de militares”, do qual foi acusado pela Extrema-Direita nas mídias sociais após o lançamento do livro. Enquanto Dirceu afirmou que as Forças Armadas têm um importante papel no processo político brasileiro e que estas sempre fizeram política. Dirceu foi bastante moderado em suas palavras e preferiu em certos momentos ler o que deveria falar para não ser mal interpretado, mas deixando claro que o PT deve ter uma boa relação com setores militares nacionalistas e patriótico, lutar contra o entreguismo e contra a submissão ao imperialismo como vem fazendo.

Também estiveram presente os ex-ministro do governo Lula, Samuel Pinheiro Guimarães, de Assuntos Estratégicos e Juca Ferreira, da Cultura; que elogiaram bastante o livro e a palestra do ex-ministro.

Militares da reserva, professores e pesquisadores, além de militantes políticos que se interessaram pelo assunto saíram do evento com uma nova visão política sobre Inteligência e Estratégia e o pensamento político de Acilino e Dirceu, elogiando o livro e a palestra, considerando que o tema era tabu na esquerda e que os dois, ex-guerrilheiros que conhecem bem o assunto e têm muita influência na militância de esquerda dos respectivos partidos, PSB e PT, “devem buscar formar novos militantes nestes temas de geopolítica, inteligência, estratégia e diplomacia, formando novos quadros para um novo paradigma onde partidos políticos e movimentos sociais possam contribuir para a independência do Brasil, a soberania nacional e a integração da América Latina”, afirmou o embaixador Samuel Guimarães. Oficiais generais da reserva e militares da jovem oficialidade presentes, que preferiram o anonimato para evitar represálias do governo também elogiaram a palestra de ambos e o livro, afirmando que “os quarteis estão divididos e as forças armadas devem exercer uma atividade de Estado e não de governos, e temos conversado bastante com o Acilino que tem levado nossas preocupações aos partidos progressistas” disse um oficial de Marinha em conversa reservada. Enquanto um Coronel da Aeronáutica, hoje na aviação civil, mas com grandes laços dentro da Força Aérea afirmou que esta não compactua com o entreguismo do governo Bolsonaro e que a insatisfação nos quartéis é grande devido ao antipatriotíssimo do presidente da República, “que mais parece um serviçal dos EUA que um servidor público brasileiro”, e citou a Base de Alcântara como exemplo. Ao que Acilino complementou ao afirmar que ao final de seu governo “Bolsonaro poderá ser preso acusado de traição a pátria e condenado por crimes de lesa-pátria”. Para ambos os oficias José Dirceu é um homem bastante respeitado dentro das Forças Armadas por ter lutado por seu reaparelhamento e a valorização da tropa quando era ministro. 

Tanto o ex-ministro como o autor do livro já têm convites para viajarem o Brasil realizando desta vez o lançamento dos livros de ambos; Memórias, volume 1, de José Dirceu; e Inteligência Estratégica e Segurança Cidadã, de Acilino Ribeiro. O convite partiu de diversos movimentos sociais, sindicatos, universidades e militantes dos dois partidos os quais pertencem e são dirigentes; o PSB e o PT, além de outros como o PSOL, PCdoB, PCO, PCB, PDT, REDE, PV e outros que se fizeram presente ao evento. AGNOT\MIDIASIND\06\012\19: AK\SM.
Por AHMED KHALIL e STEFANI MURDOCK

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