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domingo, 5 de maio de 2019

Projeto social ensina artes marciais em São Sebastião

Cinco atletas ganharam medalhas em campeonato nacional realizado em São Paulo

No final do mês passado, 13 atletas mirins estiveram no Campeonato Brasileiro de Jiu-Jítsu 2019 e cinco deles voltaram com medalhas para casa Fotos: Vinicius de Melo / Agência Brasília

O treino começa às 19h e as crianças mal podem esperar o horário marcado. Quando o professor chega ao galpão onde ocorrem as aulas no bairro Bonsucesso, em São Sebastião, o local já está cheio. Agitados, os alunos esperam ansiosamente pelas lições. As principais são os golpes de lutas, mas disciplina, respeito, superação e coragem estão na lista dos ensinamentos.

O professor é Adalberto Antônio Ventura, 48 anos, conhecido como Betinho. Atleta desde os 29, faixa preta há nove anos, servidor público concursado e comandante do projeto social Campeão No Esporte e Na Vida. Há cinco anos, partiu dele a iniciativa de dar aulas gratuitas para crianças de São Sebastião. Hoje, 100 meninos e meninas aprendem Judô, Muay Thai e Jiu-Jitsu sem pagar nada.

Ele, que é como um pai para muitos alunos, dava aulas em academias particulares e via de perto as dificuldades financeiras das famílias para pagar as mensalidades. “Eu encontrava os alunos, perguntava o porquê de terem parado de treinar e eles sempre falavam que os pais estavam sem dinheiro”, conta. “Em qualquer dificuldade financeira, o esporte era cortado”, acrescenta. Adalberto decidiu criar o projeto social depois que outra iniciativa que ensinava Judô de graça na cidade fechou as portas.

E não se trata apenas de lazer. Eles levam o esporte a sério. No final do mês passado, 13 atletas mirins estiveram no Campeonato Brasileiro de Jiu-Jítsu 2019, que aconteceu em Barueri, São Paulo. E cinco deles voltaram com medalhas do maior evento do país na modalidade: dois ouros, uma prata e dois bronzes.

Histórias de vida

Por trás de cada premiação, uma história de vida. Jonatha Michael Lopes da Silva, 15 anos, luta há quatro anos, é faixa laranja e ganhou ouro em sua categoria. O novo campeão nacional mirim de Jiu-Jitsu, que já participou de outros 20 torneios, trava uma batalha diária para conciliar os estudos, os treinos e o trabalho como Jovem Candango para ajudar em casa. Pretende cursar veterinária e continuar lutando depois de adulto.As crianças treinam em um galpão cedido pela Administração Regional de São Sebastião

“Desde os 6 anos eu treino. Fiz Judô antes em outro projeto social. Eu moro na casa da minha avó e do meu avô com minha mãe, eles sempre me incentivaram muito. O esporte mudou minha vida. O tempo que eu poderia estar na rua, aprendendo o que não presta, estou treinando e aprendendo um pouco da vida”, diz. “Eu poderia cair em outro caminho, mas o esporte me salvou.”

Mateus Damaso tem 11 anos e começou a trilhar um caminho no Jiu-Jitsu com dois anos de treino. O medalhista de bronze no Campeonato Brasileiro relata que, antes de praticar esporte, voltava da escola e passava o dia na rua. “Eu saí da rua e não aprendo a fazer coisa errada. Agora tenho duas medalhas de ouro, três de bronze e umas quatro de prata. Vou ser lutador de Jiu-Jitsu quando crescer”, diz.


Aos 13 anos e com menos de dois anos de treino, Rayssa Gomes da Silva também voltou com o ouro pra casa. “A Rayssa é impressionante. Aprende tudo muito rápido e evolui muito bem. Ela tem o dom mesmo”, elogia o professor. Nascida em Água Branca, no interior do Piauí, ela mora no Distrito Federal há três anos e pretende seguir carreira no esporte. “Gosto muito de estar no tatame. É muito importante estar aqui aprendendo e me destacando. O esporte mudou o meu jeito de pensar”, afirma.

Superação

Mais de 200 adultos também treinam no galpão e colecionam títulos. Como Pedro Moura, 28 anos. Faixa preta de Judô e de Jiu-Jitsu, ele já ganhou um Campeonato Panamericano, dois Europeus e é campeão mundial de Jiu-Jitsu. Com muita dedicação e talento, Pedro transformou o esporte em profissão. “Eu e minha irmã somos atletas, ela vive nos Estados Unidos e se sustenta como atleta. Nasci em São Sebastião e o projeto foi muito importante na nossa vida e carreira”, conta. “Perdi muitos amigos para o crime, perdi alunos. Esses meninos são a segunda geração de campeões, fora os pais de família que o professor consegue formar”, acrescenta Pedro que passou em um processo seletivo para dar aulas no Qatar.

Para manter o projeto social Campeão No Esporte e Na Vida, Adalberto conta com a ajuda de outros seis professores voluntários. As crianças treinam em um galpão cedido pela Administração Regional de São Sebastião. Todo o resto, incluindo quimonos, vem de doações, que podem ser feitas através de contatos pelo telefone: 9.8550-0535. “Já tivemos aula de reforço e acompanhamento escolar. Tenho muitos projetos, mas dependemos de voluntários”, afirma o professor.

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