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sexta-feira, 12 de abril de 2019

Alunas deixam recados no banheiro feminino de colégio do DF para aumentar a autoestima das colegas

Bilhetes são colados no espelho e maquiagem, perfume e desodorante divididos com quem quiser usar. Ideia foi de 5 adolescentes que também enfrentavam problemas de aceitação.

Por Maria Ferreira*

As estudantes colam os post-its com recados no banheiro do oitavo e nono ano — Foto: Kennia Macedo

Um grupo de cinco amigas resolveu empoderar outras meninas da mesma idade e transformou o banheiro da escola onde estudam, no Distrito Federal, em um espaço para deixar recados positivos e maquiagem para ser dividida com quem quiser usar.

Nicole Rocha, Ana Júlia Albuquerque, Beatriz Andrade, Larissa Tavares e Bruna Siroli, têm entre 13 e 14 anos e dizem que, como adolescentes, enfrentam problemas de aceitação. Para driblar "as crises" se ajudam – e decidiram ampliar o apoio para todas as meninas do colégio.

"Tantas estudantes têm problemas de autoestima, inclusive eu e o grupo", diz Ana Júlia, de 14 anos.

Elas encheram o espelho do banheiro feminino com papeizinhos coloridos. Neles é possível ler frases que incentivam a autoestima, a segurança, a confiança, o amor próprio e a sororidade, que é a união entre mulheres.

Estudantes do 9º ano tiveram a iniciativa no colégio particular — Foto: Kennia Macedo

As meninas também decidiram dividir batom, máscara de cílios, creme, desodorante, perfume e absorventes com quem quiser ou precisar.

"A ideia é que as outras meninas possam se embelezar e se cuidar", dizem as estudantes.

Bruna Siroli, de 13 anos, foi quem tomou a iniciativa de escrever os recados. Ela diz que eles também a ajudam no dia-a-dia.

"Quando estou passando por problemas ou coisas do tipo, algumas frases ajudam a enxergar que sempre vai ter alguém ali comigo me ajudando, e assim fico melhor.”

Nicole Rocha, de 14 anos, também reconhece o turbilhão de emoções que mexem com a vida dela e das outras meninas da mesma idade. "Muitas vezes eu chego na escola e estou mal. Entrar no banheiro, ler os bilhetinhos e saber que foram minhas amigas, já me deixa pelo menos um pouquinho melhor", diz a adolescente.

Cosméticos e absorventes também são colocados à disposição, no banheiro feminino, para que outras meninas se cuidem — Foto: Kennia Macedo.

Apoio dos pais e professores

As meninas contam que a ideia surgiu quando viram um movimento parecido em uma rede social. Elas então pediram autorização para colocar a ação em prática no Colégio Projeção, no Guará I, onde estudam.

A mãe de Ana Júlia, Adriana Albuquerque, reconhece que a filha “vem passando por uma fase bem delicada nesse momento da vida dela". Mas afirma que reconhecer isso e transformar em algo que pode ajudar outras adolescentes é motivo de orgulho.

A psicóloga da escola, Kennia Cristina Macedo, a quem as adolescentes recorreram para pedir orientação diz que adorou a ideia. Kennia diz que a iniciativa contribui para as meninas perceberem uma outra forma de ver o mundo.

"Elas percebem que não estão sozinhas, que existem pessoas para ajudá-las, que é importante viver."

A psicóloga ainda ressalta que é importante valorizar a iniciativa de meninas que com 13 e 14 anos, "querem fazer algo positivo pelo outro, num momento tão difícil para as mulheres e sociedade como um todo”.

A ideia agora é estender a ação para os outros banheiros do colégio — Foto: Kennia Macedo

Não é 'show'

As estudantes também reconhecem o “momento difícil”. Ana Júlia diz que “a sociedade hoje em dia é muito machista. Como mulheres, temos que mostrar que nós também somos capazes".

"Hoje em dia ainda se ouve: ah, você é mulher e não pode fazer isso."

Bruna também se mostra insatisfeita e disposta a fazer algo para mudar o que sente. "São coisas desse tipo que ajudam as mulheres a ficarem mais unidas e mais fortes para lutarem contra essa sociedade, pois veem que tem alguém que se importa e que vai ajudá-la em alguma situação”.

A psicóloga da escola alerta que, nesta idade, é comum que os jovens tenham depressão, ansiedade e a autoestima afetada negativamente.

“O abandono afetivo da família, a falta de acompanhamento dos pais e de escuta desses jovens têm sido algumas das causas."

Kennia Cristina Macedo esclarece que cada caso precisa ser visto individualmente, mas é possível ajudar conversando com o jovem, ganhando sua confiança e mostrando que está disponível para ouvi-lo.

“É preciso ter paciência, entrar no mundo do adolescente sem criticar, entender o que se passa para avaliar e orientar”.

*Sob supervisão de Maria Helena Martinho

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