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sábado, 2 de março de 2019

Governo do DF vai ocupar Centro Administrativo até metade do ano, afirma Ibaneis

Segundo ele, 70% dos servidores vão dar expediente no novo endereço. Com ocupação, GDF deve também assumir conta de pelo menos R$ 724 milhões.

Por Gabriel Luiz, G1 DF

O governador Ibaneis Rocha, em entrevista ao G1 — Foto: Reprodução/TV Globo

O governador Ibaneis Rocha (MDB) anunciou nesta sexta-feira (1º) que o governo vai começar a ocupar o Centro Administrativo em Taguatinga (CADF) até o fim deste semestre. De acordo com o político, a previsão é de que 70% dos servidores da parte administrativa do GDF passem a trabalhar no novo endereço. O prédio está pronto desde 2014, mas nunca foi ocupado.
“Durante o primeiro semestre, já teremos boa parte da ocupação.”

Ao assumir o Centro Administrativo, o governo – que até então não desembolsou nenhum centavo na construção do prédio – terá também de assumir gastos. Na ponta do lápis, o governador já estima ter de desembolsar pelo menos R$ 724 milhões.

Seriam R$ 100 milhões para ocupar o prédio (licitação de móveis e instalações necessárias), R$ 80 milhões para pagar o consórcio de empreiteiras Via Engenharia e Odebrecht e R$ 544 milhões de dívidas com a Caixa e o Santander. Sem contar com despesas de R$ 3 milhões a R$ 4 milhões por mês para manter o local funcionando (segurança e limpeza).

Os valores e os prazos de pagamento ainda não estão fechados, por estarem sob negociação entre as partes. O assunto faz parte do grupo coordenado pela Secretaria de Fazenda para tratar da transferência ao CADF – inaugurado no último dia de gestão do ex-governador Agnelo Queiroz (PT), em 31 de dezembro de 2014.

Apesar da polêmica envolvendo o prédio, o governador Ibaneis disse entender que os gastos compensam porque a estrutura “precisa ser ocupada”.

Centro Administrativo do governo do Distrito Federal, em Taguatinga — Foto: Isabella Calzolari/G1

“Temos que assumir o gasto porque temos uma administração que está bastante desorganizada, espalhada em diversos prédios pela cidade. Prédios alugados que dão uma despesa só com aluguel de R$ 9 milhões, mais toda a manutenção de prédios que não são nossos”, afirmou.

“O próprio Anexo [do Palácio do Buriti] já recebeu laudos condenando partes dele. Precisaria passar por uma grande reforma também. Existe risco de queda de vidraça. Tem muita coisa que precisa ser arrumada.”

Após a mudança, o anexo do Buriti deve ser desativado para passar por uma reforma em todos os andares. Depois disso, o governo vai avaliar o que poderá funcionar no lugar. Uma das alternativas, segundo Ibaneis, seria instalar a Universidade Distrital – projeto de campanha dele de universidade pública ligada ao GDF.

Tom moderado

O anúncio de Ibaneis é diferente do tom adotado em janeiro, quando ele chegou a afirmar que pretendia ocupar o Centro Administrativo até março, “de um jeito ou de outro”, por meio de um decreto de intervenção.
“Saímos da discussão de intervenção e estamos em uma fase de negociação, que estão bem avançadas”, declarou Ibaneis nesta sexta.

O que diz o consórcio

O empreendimento foi construído pela concessionária do Centro Administrativo do Distrito Federal (Centrad) - formada pela Odebrecht e pela Via Engenharia - que alega ter investido aproximadamente R$ 1,5 bilhão, em valores atualizados, somando investimento próprio e empréstimos captados em bancos.
Em nota, a concessionária afirmou que continua pagando pelos serviços de manutenção do espaço desde 2014. "Sem ter havido qualquer repasse por parte do parceiro público, a Centrad reduziu a equipe que atua no empreendimento, e realiza a manutenção mínima da estrutura do empreendimento visando a conservação das instalações."

O escopo da Parceria Público-Privada (PPP) do CADF prevê construção, manutenção, administração e gestão do empreendimento pelo período de 21 anos. Mobiliário e itens Tecnologia da Informação devem ser custeados pelo GDF.

Novo Centro Administrativo do governo do Distrito Federal, em Taguatinga — Foto: Isabella Formiga/G1

Histórico

O documento que autoriza a ocupação real de qualquer prédio urbano chegou a ser emitido em 2014, mas foi cancelado pela Justiça por entender que faltavam documentos como o Laudo de Conformidade, que atesta a execução de medidas para reduzir o impacto no trânsito.

O espaço chegou a ser inaugurado pelo ex-governador Agnelo Queiroz no último dia de mandato, mas nunca chegou a funcionar na prática. O valor global da PPP é estimado é R$ 6 bilhões, incluindo a construção e a operação do complexo por 22 anos.

O contrato envolvendo o empreendimento é citado na delação do ex-executivo da Odebrecht João Antônio Pacífico Ferreira, no âmbito da operação Lava Jato. Segundo Pacífico, as negociações para a construção do Centro Administrativo, entre 2007 e 2014, foram marcadas por "acordos de mercado" na fase de licitação e repasses ao caixa dois de campanhas eleitorais.

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