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segunda-feira, 6 de maio de 2019

Garoto prodígio: conheça a história do menino de Brasília que encantou o Prêmio Nobel de Química

José Buzar tem 11 anos. Ele se encontrou com James Fraser Stoddart na UnB.

Por Daumildo Junior*, G1 DF

José Buzar, de 11 anos, surpreendeu o Prêmio Nobel de Química James Fraser Stoddart durante visita do cientista à UnB — Foto: Acervo Pessoal.

Astronomia, geopolítica, história e sociologia podem ser considerados assuntos de adultos intelectuais, pesquisadores, cientistas. Mas esses são temas constantes nas conversas de José Buzar, um brasiliense de 11 anos.

O garoto tem altas habilidades. "Ele possui uma capacidade cognitiva e intelectual acima da média", explica a pesquisadora Olzeni Ribeiro. Segundo ela, José pode ser considerado um menino prodígio.

“Dentro de altas habilidades você tem a criança precoce, depois o prodígio, expertise e por último o gênio. José hoje já está no nível prodígio.”

Olzeni conta que o menino tem o desempenho de um adulto de alto rendimento na área de conhecimento para a qual suas habilidades se direcionam: geografia e história, principalmente. Outra comprovação, é o nível de quociente de inteligência (QI), que está em 147, enquanto a média das pessoas é de 100.

O Nobel de Química e o Jovem Pesquisador

Em abril, José acompanhou uma palestra do prêmio Nobel de química de 2016, James Fraser Stoddart, na Universidade de Brasília (UnB). Sem se intimidar com presença de pesquisadores e embaixadores, o menino fez uma pergunta para Stoddart.

O questionamento envolveu nanomoléculas na cura do câncer e da malária. Sir J. Fraser Stoddart ganhou o Nobel pelo desenvolvimento de máquinas moleculares em um trabalho feito ao lado de Jean-Pierre Sauvage e Bernard L. Feringa.

Os três cientistas desenvolveram moléculas com movimentos controlados que podem realizar tarefas com a adição de energia, uma grande evolução no campo da nanotecnologia. Edeilce Santos Buzar, mãe de José, disse que até mesmo Stoddart ficou surpreso com a pergunta.

“O Nobel chegou a falar: ‘José, essa pergunta me faz pensar em outros questionamentos’”.

Outro fato que chamou atenção de Edeilce foi a referência que o auditória fazia a José. Ele era chamado de "o jovem pesquisador".

“Muitos deles, quando perguntavam depois do José, diziam: ‘assim como o jovem pesquisador perguntou’ e faziam o questionamento.”

Altas habilidades


José Buzar com os pais, Francisco Buzar e Edeilce Santos — Foto: Daumildo Júnior/G1

Os sinais das capacidades de José apareceram muito cedo. Segundo Edeilce, desde um ano de idade ele já sabia contar até ao número 50.

Apesar do diagnóstico de "menino prodígio" que pode se transformar em "gênio", a família prefere ressaltar outras características dele. “O José é um menino muito carinhoso e muito afetivo”, afirma.

O próprio José não se considera diferente das outras pessoas. Ele mesmo explica que o que há de diferente "são algumas ideias."

“Eu me acho um garoto normal. Eu não fico me achando tão especial assim. Eu só me acho uma pessoa normal que tem algumas ideias diferentes da normalidade para a minha idade.”

Desafios

A descoberta das altas habilidades de José foi marcada por algumas dificuldades e mudanças de escolas. Francisco José Roma Buzar, pai do garoto, diz que muitas vezes o menino sofreu com o bullying.

Por causa do tipo de conversa, o garoto não conseguia amigos no colégio e ficava distante das outras crianças. Em alguns momentos, nem mesmos professores sabiam lidar com José, revela Edelnice.

“As crianças não tinham paciência para escutar ele e alguns professores interpretavam mal, pois ele sempre fazia questionamentos.”

O diagnóstico de altas habilidades veio recentemente e os pais procuraram ajuda em um instituto que pesquisa o assunto, no Distrito Federal. Segundo a diretora do Ideaah, Juliana Guimarães, quando as criança chegam elas passam por diferentes abordagens para identificar as aptidões.

Foi a partir disso que os especialistas reconheceram as habilidades do José para conteúdos acadêmicos.

Menino de gosto refinado e diverso


Da esquerda para direita: Olzeni Ribeiro, Francisco Buzar, José Buzar, Edeilce Santos e Juliana Guimarães — Foto: Daumildo Júnior/G1

Chopin, Beethoven, Iron Maiden, Metallica e, mais recentemente, chorinho. Esses são os gostos musicais do menino prodígio.

Mas José também gosta de idiomas. Um dos preferidos é o russo, diz o pai, ao contar que o menino tem cantado músicas líricas em russo.

Quando fala em países, o "pequeno pesquisador" tem mostrado uma admiração especial pela Mongólia. José explica que o gosto pelo país é motivado pela pouca exposição que a região tem.

“A Mongólia não é um país tão conhecido pelo público no geral. Às vezes um adulto ou outro que conhece sobre isso.”

José trabalha em um “projeto” onde quer contar toda a história da Mongólia. Para incrementar a obra, mapas de autoria própria estão sendo feitos para resgatar o passado do povo Mongol.

Os mapas são uma paixão de José. A mãe dele diz que em boa parte do tempo o menino desenha mapas alternativos.

"Ele cria novas fronteiras a partir de perguntas como 'o que aconteceria caso a Alemanha tivesse ganhado a primeira guerra?', ou 'como seria a América, se os europeus não tivessem colonizado o local?'”

Diante de tantas perguntas, quando a reportagem fez um questionamento sobre qual a profissão pretende seguir no futuro, José respondeu que gostaria de ser um diplomata da Organização das Nações Unidas (ONU).

A justificativa dada pelo garoto é a preocupação com as minorias e com as guerras. José, que tem respostas para quase tudo, diz que não consegue entender o porquê dos conflitos armados.

"São completamente sem sentido”, diz ele.

*Sob supervisão de Maria Helena Martinho

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