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terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

Senador Roberto Requião ataca a reforma da Previdência e se manifesta contra a ‘ditadura do capital financeiro global’.

Em discurso nesta quarta-feira (22), ao qual denominou “Um grito de brasilidade”, o senador Roberto Requião (PMDB-PR) conclamou a população a resistir e reagir contra a “ditadura do capital financeiro global”. Segundo ele, o governo Temer está comprometido com ideais neoliberais que estariam saturados e em desuso mundo afora.

Requião mencionou diversos acontecimentos recentes que a seu ver indicam que os governantes do país estão na contramão da história ao se negarem a proteger a indústria e os trabalhadores brasileiros. Ele disse que o Brasil está voltando à “trilha do fracassado modelo liberal”.

Para o senador, a vitória de Donald Trump nas eleições presidenciais dos Estados Unidos, a saída da Grã-Bretanha da União Europeia, a crise na Espanha, “a lenta agonia da Grécia”, além da ascensão de nacionalistas na França, Alemanha e Itália mostram que as nações estão entendendo que proteger suas próprias indústrias e seus trabalhadores é a saída para enfrentar a “financeirização da vida das nações e da humanidade”.

Requião enumerou o que ele chamou de roteiro da transformação do Brasil em um estado bárbaro e dependente, que estaria em andamento no governo Michel Temer: mão de obra barata e sem direitos trabalhistas, terceirização, reforma da Previdência, venda das reservas do pré-sal, privatização das companhias públicas de energia, água e saneamento, cancelamento de programas sociais, venda de terras a estrangeiros, entre outros.

“O que será depois? Venderemos o quê? Nossa água? Nosso ar? A casa da sogra talvez, o que mais?”

Requião comparou a proposta de reforma da Previdência proposta por Temer à chamada Lei dos Sexagenários, de 1885, que dava liberdade aos escravos com mais de 60 anos de idade no Brasil, também conhecida como Lei Saraiva-Cotegipe e Lei da Gargalhada. O senador explicou que, segundo a lei, esses escravos tinham a obrigação de trabalhar por mais três anos a título de indenização ao proprietário, já o escravo de mais de 65 anos estava dispensado desse trabalho extra.

O problema, disse Requião, é que a média de vida dos escravos no Brasil na época era de apenas 30 anos. Para ele, a reforma da Previdência é similar, ou seja, a maioria dos trabalhadores vai morrer antes de conseguir se aposentar.

“O tempo passa, o tempo voa, nossas classes dominantes continuam numa boa. Como são insaciáveis, em sua crueldade, as classes dominantes! Pois não é que, 132 anos depois, produzem uma contrafação, um pastiche da Lei Saraiva-Cotegipe. Que é a reforma da Previdência. Como a Lei da Gargalhada, que não alcançava nenhum beneficiário vivo, a reforma da Previdência vai beneficiar trabalhadores quando eles não existirem mais. Tempos tristes, tempos sombrios, os tempos de hoje”, disse Requião, lembrando frase do escritor Raduan Nassar, vencedor do Prêmio Camões.

Requião também afirmou que o nacionalismo econômico que defende não deve ser confundido com xenofobia, mas sim como um movimento de resistência do trabalho e do povo brasileiro.

Com informações da Agência Senado.

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